A Associação Brasileira de Saúde Mental – ABRASME, por meio desta Nota, manifesta sua solidariedade à professora Dra. Maria Inés da Silva Barbosa, que foi desrespeitosamente interrompida durante sua palestra de abertura na Conferência Municipal de Saúde pelo prefeito de Cuiabá, Abílio Brunine. O prefeito impediu a professora de utilizar pronomes neutros em sua fala, alegando que, em sua gestão, esse tipo de uso estava expressamente proibido.
Ao destacar a importância do uso de pronomes neutros, afirmando que “o SUS é de todES”, a professora foi intimidada pelo prefeito, que ameaçou expulsá-la do evento. Diante dessa ameaça, a professora se retirou.
É inadmissível que agentes públicos, eleitos pelo voto popular para atender às necessidades da população, se considerem acima das leis federais e das normativas do SUS, orientadas pelo Ministério da Saúde. Esses representantes não são donos dos municípios, e não devem impor suas próprias regras em detrimento dos direitos assegurados à população.
O SUS é de TODES, sim! O SUS é preto, quilombola, indígena, branco; é para os povos de terreiro e para os cristãos; para homens, mulheres e pessoas que não se identificam com um sistema de gênero binário, porque o SUS é UNIVERSAL. E, por isso, é para todas as pessoas!
O SUS atua a partir do princípio inegociável da EQUIDADE e, por isso, atende cada pessoa conforme suas necessidades específicas. O SUS é Trans e é Cis, pois cada pessoa tem o direito de ser atendido a partir de suas necessidades, a começar pelo pronome de tratamento pelo qual escolhe ser chamada.
Dessa forma, a ABRASME reafirma o direito ao uso do pronome neutro e prestar todo o nosso apoio e solidariedade à Profa. Dra. Maria Inês da Silva Barbosa, bem como às pessoas que defendem um SUS gratuito e público, construído com base em seus princípios fundamentais: integralidade, universalidade e equidade.
30 de julho de 2025
Associação Brasileira de Saúde Mental - ABRASME







